terça-feira, junho 09, 2015

Crucificação

Domingo passado foi a tão falada Parada Gay, evento que já se consolidou no calendário turístico de São Paulo.
Como todo ano sempre tem alguma polêmica, e dessa vez não poderia ser diferente.
A polêmica da vez foi:
Uma transexual desfilou crucificada.
Bastou para um festival de chorume no Facebook. Pessoas desejando que ela tivesse câncer, AIDS, que morresse espancada, etc etc etc..

Engraçado é que quando Neymar foi 'crucificado' na capa de uma revista há alguns anos, quase não se ouviu falar disso. Ninguém se ofendeu. Talvez um, ou outro e olhe lá.

Não vou entrar no mérito da crucificação em si. Eu, vou ser sincera. Achei de gosto meio duvidoso. Assim como o Neymar. Mas.... o que eu quero falar sobre é de algo muito mais perturbador na minha opinião: Estamos virando um país de fundamentalistas.

Pessoas execram a transexual (mas não o Neymar, ele pode). Acham que ela deve morrer. Mas se esquecem de que o respeito é uma via de mão dupla. A verdade é que, hoje em dia ninguém respeita mais ninguém. Alguns seguidores de certos ''pastores'' acham legal invadir terreiros de Umbanda e quebrar seus símbolos religiosos. Ora, mas eles não merecem ter sua crença respeitada? Aí vemos um deputado, se aproveitando do calor do momento, vindo com um projeto de lei pra lá de bizarro para criminalizar a cristofobia? Mas oi? Peraí! Então quer dizer que, não poderei discordar de alguns dogmas da igreja, não poderei criticar certas atitudes vindas de pessoas que se dizem cristãs, pois correrei o risco de ser presa ou multada? Estamos virando um Estado fundamentalista cristão?

Quando houve o ataque terrorista que matou os redatores da revista francesa Charlie Hebdo, vimos muita gente por aqui se revoltando. Chamando todos os muçulmanos de terroristas. Aliás, houveram casos de mulheres muçulmanas sendo agredidas na rua pelo simples fato de serem muçulmanas! "Esses muçulmanos selvagens! Matem todos! Nós, cristãos somos mais civilizados''. Será?

E pior, todo esse fanatismo respinga em pessoas inocentes de todos os lados. A maioria dos evangélicos só quer viver sua vida em paz sem incomodar ninguém. Assim como a maioria dos muçulmanos. E também os gays. Mas ambos acabam sendo discriminados por causa de uma minoria fanática que não usa aquele órgão que tem dentro do crânio para pensar.

Será que um dia nós respeitaremos as pessoas não por serem pretas, brancas, orientais, homens, mulheres, gays, héteros... E sim simplesmente por serem humanas?

Por que é tão difícil respeitar a fé alheia? Pra mim é extremamente ofensivo, mesmo eu não sendo católica, ver pastor chutar santa. Pra mim aquela estátua não significa nada, mas para um católico ela representa muito, cabe a mim respeitar. Assim como acho um absurdo, na Marcha das Vadias ficarem enfiando imagens sacras nos seus respectivos buracos. Isso é ofensivo, não combate discriminação nenhuma, e só incita mais ainda o ódio.  Assim como nada me dá o direito de invadir templo alheio e vandalizar. Aliás, que eu saiba, vandalismo é crime. Se eu não posso invadir uma concessionária e depredar carros, o mesmo princípio deveria valer para templos!

Sinceramente, dá desânimo... Acho que esse mundo ideal, onde todos nos respeitamos é utópico...
O que me faz pensar que a humanidade não deu lá muito certo...

quarta-feira, junho 03, 2015

O Boticário e a intolerância.

E a mais nova polêmica do momento é a propaganda do Boticário sobre o Dia dos Namorados.

Assisti ao comercial, e o achei lindo. Um comercial bem feito, singelo, mostrando todas as formas de amor sem apelações e sem baixarias.

Mas afinal de contas, por que o amor incomoda tanto?
Nossa TV aberta é praticamente um lixão a céu aberto. Vemos violência, esfaqueamentos, assassinatos, traições, programas escrotos do estilo Esquenta, Gugu, dentre outras coisas ridículas. E não vejo pessoas dando chiliques por causa disso.
Vemos comercial de cerveja apelativos, onde a mulher é tratada como um mero objeto, e também não vejo ninguém dando chiliques por causa disso.

Mas, o amor entre pessoas do mesmo sexo é algo horrendo!
E sabe o que é pior ainda?
Essas pessoas se dizem cristãs.

Eu sou cristã. Eu acredito em Deus. E a propaganda do Boticário não me ofendeu em nada. Me ofende pessoas ditas cristãs disseminando o ódio por aí. Odiar não é coisa de cristão, ou pelo menos não deveria ser.

Jesus pregou o amor. Um dos seus maiores mandamentos é exatamente 'amais-vos uns aos outros como vos amei.' Jesus ainda disse 'atire a primeira pedra quem nunca pecou'. Mas, infelizmente, muitos dos que dizem seus seguidores não se lembram desses mandamentos, e da-lhe atirar pedras!

Além do quê, Deus nos deu o livre arbítrio. Não somos escravos dele. Temos nossa liberdade para fazermos o que quisermos da nossa vida. É óbvio que tudo tem sua causa e efeito. Mas isso não nos dá o direito de sermos juízes de ninguém e ficar dizendo quem vai pro céu e inferno.

Ninguém aqui é Deus ou Jesus para condenar ninguém! Deixem as pessoas serem felizes!

E viva a propaganda do Boticário! Que venham mais comerciais assim. Bonitos. Sem baixaria. Exaltando um dos melhores sentimentos que podemos ter: o amor!


sexta-feira, maio 29, 2015

Decisão.

Aí você acorda decidida!
Depois de 3 dias pensando, refletindo, tendo crises de ansiedade, você decide que quer conversar. Quer expor tudo que está sentindo numa boa. Quer descarregar esse peso do coração e da garganta. .
Você reflete por dias seguidos, pensa no melhor jeito, abaixa a guarda, e tenta manter a calma.

E...

Essa semana a pessoa não vai aparecer na sua casa.

É, acho que não foi dessa vez.


sexta-feira, maio 15, 2015

:)

Num desses dias, ao voltar pra casa, encontrei a Mariza.

Ela trabalha em outro departamento aqui na Poli-Elétrica, e de vez em quando nos encontramos no ponto do ônibus e vamos até o metrô trocando ideias.

Ela havia me dito que o marido dela estava viajando, e que eles já tinham se falado várias vezes pelo celular.

'Somos casados há anos, quando ele está em São Paulo, quase não nos falamos durante o dia, mas quando ele viaja é estranho, parece que falta um pedaço, aí acabamos que nos falamos direto.''

Eu achei tão bonitinho...

:)

quinta-feira, maio 14, 2015

Quando não conseguimos nos expressar com palavras faladas.


Ontem, me deparei com esse post no Facebook.
Pra ser sincera, nem sei se foi Freud mesmo que falou isso, afinal, o que mais acontece na internet são frases atribuídas falsamente à várias pessoas (Clarice Lispector que o diga), mas enfim.

Nem é sobre isso que eu quero falar.
É sobre mim mesma.
Eu costumo me expressar melhor na escrita do que na fala.
Me faltam palavras.. Eu fico pensando numa maneira de falar sem magoar a outra pessoa, e não consigo achar nada.
Além do quê, me falta autocontrole necessário pra conversar sobre assuntos que me incomodam.
Gostaria de poder conseguir falar sem começar a chorar, ou me descabelar.
A verdade é que eu me sinto constrangida em incomodar os outros com meus problemas. Desde que eu me entendo por gente sou assim.
Então, me calo. E somente sinto. E quando o sentimento é demais, eu choro. Choro em casa, choro no metrô. Choro em qualquer lugar. Só não na frente de quem eu conheço. Ou talvez, de quem deveria.
E escrevo.

Escrevo pra colocar pra fora tudo que me incomoda. Escrevo e-mails, escrevo num caderno.
Escrevo aqui, de vez em nunca.

Mas o quê que me incomoda tanto?
Atitudes tão pequenas, mas que por trás mostram que, talvez, você não é aquilo que você achava que era.
Eu sempre fui muito aberta com as pessoas nas quais eu amo e confio. Seja namorado ou amigos.
Se eu saio com fulano eu falo, se eu saio com ciclana eu falo, se eu estou no celular no whatsapp, não fico tentando esconder nada, afinal, eu não tenho nada a esconder.
Eu odeio coisas escondidas. Às vezes não é nada de mais. Mas, ao disfarçar estar falando com alguém, acaba fazendo com que a gente comece a refletir sobre tais comportamentos, e se questionar o porquê.
''Ah, mas você está sofrendo à toa, não é nada disso que você está pensando.''
OK, mas se não há nada de errado, por que esconder então?
Por que não agir naturalmente?
Por quê, por quê, por quê?

Posso estar sendo infantil, babaca, besta, seja lá o que for.
Mas eu gosto de tudo em pratos limpos.
Sem segredinhos e coisinhas escondidas.
Por mais bobas que sejam.
Isso me incomoda, me magoa, me diminui.


Bom, consegui colocar isso pra fora aqui.
Agora só me falta coragem pra falar isso.
Sem chorar. E sem me sentir a pior pessoa do mundo.

É, eu sou complicada mesmo...

quarta-feira, outubro 22, 2014

Mudanças...

Todo ser humano faz planos. Faz parte da nossa natureza, talvez pelo fato de sermos racionais e querermos controlar tudo ao nosso redor.

Planejar faz parte da vida assim como frustrações. E elas vão aparecer, queira você ou não. Nossa vida está tudo nos eixos, e de repente acontece algo que vira tudo de cabeça pra baixo. A sorte é que nós, humanos, temos uma incrível capacidade de adaptação. Muitos conseguem, mas infelizmente muitos acabam sucumbindo e caindo nas garras da depressão.

Posso dizer que na minha vida eu tive um divisor de águas: quando meu pai era vivo, e depois que meu pai faleceu. Digamos que minha vida era A e virou Z. Foi um turbilhão de coisas que inundou tudo, e na época não tive tempo de pensar em nada, afinal, foi tudo muito rápido, e tivemos que agir rápido. O que por um lado foi bom, mas por outro deixou sim algumas sequelas, que achei que não tinham ficado, mas hoje vejo que elas estão aqui.

Não fiquei revoltada, com ódio da vida nem nada disso. Mesmo porque em certas situações eu acho a morte mais digna do que ficar por anos sofrendo por uma doença que não se tem cura. Mas isso é assunto pra outro post.

Quando se mora no mesmo lugar por 31 anos, e de repente nos vemos obrigados a nos desfazer de praticamente tudo, fica uma marca. Claro que sei que bens materiais não deveriam permear nosso ser e blá blá blá, acho muito lindo quem tem esse desprendimento, mas pra mim, alguns bens materiais tem valor emocional muito grande, e que naquela época não tive o tempo necessário para mensurar o que eu deveria ficar, e o que eu deveria passar pra frente. As únicas coisas que eu me recusei a dar fim foram minhas fitas. De resto foi tudo: diários de escola, álbuns de figurinhas, revistas, fitas VHS, livros etc.

Confesso que nessa história toda a sequela maior que ficou em mim é ficar triste a cada mudança. Odeio mudanças, eu confesso. Quando tivemos que sair rápido da nossa casa, e irmos pra um apartamento, fomos obrigados a nos desfazer de praticamente tudo. E isso imprimiu uma certa melancolia em mim. Lembro-me de que quando me mudei de Blumenau pra São Paulo era um misto de alegria, e tristeza. Alegria pois finalmente eu estava vindo pra cidade onde sempre quis morar. Tristeza por ter que empacotar tudo, e  me mudar. Lembro-me também da minha mãe me perguntando assim que chegamos aqui: 'você tá feliz?'. Confesso que não sabia o que responder, pois a mistura de sentimentos era grande demais pra definir o que eu realmente estava sentindo naquele momento.

Se eu pudesse estalar os dedos e ir de um lugar pro outro sem passar pelo processo de mudança, justo que faria isso. Quando meu avô se mudou da casa dele pra outra, senti a mesma melancolia. Fiquei sentada em uma das poucas camas que haviam restado lá olhando pro nada e deixando o tempo passar um pouco...

Bom, se tudo der certo, encararei outra mudança, desta vez aqui em São Paulo mesmo. Uma ou duas. Sei lá. Acho que tá na hora de eu me preparar pra isso. Mas acredito que talvez seja um pouco diferente, pelo fato de eu ter tempo de elaborar as coisas, e de saber do que realmente eu quero me desfazer ou não.

Por que eu escrevi isso? Sei lá. Me deu vontade. Escrever me faz bem, e eu não encho o saco de ninguém. :)

segunda-feira, junho 30, 2014

Descanse em paz Orkut.

Hoje, ao abrir o Twitter, me deparo com a notícia de que o Orkut vai fechar.
Eu, sinceramente, achei que demorou. Faz tempo que o Orkut não é mais a rede social que dominou o Brasil por tanto tempo, e pelo que eu li a respeito, o Google tava tomando vários processos por difamações e etc...

O Orkut foi a primeira rede social da qual eu fiz parte. Antes disso, contato com pessoas era ICQ, depois substituído pelo MSN - que também já faleceu - e IRC, que infelizmente existe ainda, mas não é 1% do que era antes. Fora do bate-papo era e-mail. Ou, para algo mais técnico, haviam os Fóruns de discussão.

Aí, de repente veio o Orkut. No começo era aquele rebuliço, pois precisava de convite. Lembro-me do Carlos, um amigo dos tempos de Chat do UOL falando que, se conseguisse um convite iria me mandar. Dito e feito! Chegou o convite, e lá vai eu toda feliz fazer o meu cadastro. No começo fiquei boiando muito, afinal, o quê que era aquilo? O conceito em si de rede social estava começando, pelo menos no Brasil, e eu, pra ser sincera, não tinha a mínima ideia do que era. Até que, aos poucos, as pessoas que eu conheço foram me adicionando, eu fui adicionando quem eu conhecia também, desde amigos dos tempos de chats, IRC, ICQ, até amigas de escola, muitas que havia perdido contato. Além de voltar a ter contato com pessoas com quem eu não falava faz tempo, estreitei laços de amizade com pessoas que conhecia apenas em blogs, mas que nosso contato se resumia a comentar uma no blog da outra e pronto. A Clarissa foi uma delas! E nossa amizade continua firme e forte até hoje!

Outra coisa boa que o Orkut me proporcionou foi voltar a ter contato com minhas antigas correspondentes. Sim, em uma época onde não existia internet, amizade à distância se fazia por cartas, e eu escrevi pra muita, mas muita gente mesmo, desde a década de 80, até meados de 2000. Com a internet, aos poucos praticamente todo mundo parou de escrever, e o Orkut fez com que eu reencontrasse algumas daquelas pessoas, o que eu achei muito legal.

Além dessas vantagens, também tinham as comunidades. Ah, as comunidades! Essas eram um caso a parte. Algumas eram sérias, mas outras eram zoeira pura, e diversão pura também. A maioria era totalmente nada a ver, o que tornava o negócio muito mais divertido. Além das comunidades tinha o famoso scrapbook, que era pra ser um livro de recados, mas, pelo menos no meu caso, virava sala de bate-papo quando juntava eu e mais um povo maluco. E tinha gente que lia e deletava tudo.

Também tinham os depoimentos, onde podia se escrever o quê achávamos dos nossos amiguinhos orkutianos. Muitas vezes virava mensagem privada, na falta de um dispositivo desses na rede.

O tempo foi passando, eis que, um belo dia fui logar na minha conta, e.. Surpresa! Ela havia sido deletada, supostamente por postar fotos que não eram permitidas pelas normas do Google. Sinceramente não entendi nada, pois só tinham no máximo umas 10 fotos, nenhuma delas proibidas, se é que pode falar assim.. Enfim, acabei perdendo depoimentos de pessoas queridas, uma dela inclusive que havia falecido havia pouco tempo... Pedi outro convite e fiz outra conta. A partir daí comecei a perder minha empolgação.

Nesse meio tempo, recebi convite para um tal de Facebook, vindo de uma alemã que conheci via cartas também. Fiz o meu cadastro mas deixei quieto, afinal, o Orkut ainda tava bombando, e praticamente todo mundo que eu conhecia ainda não tinha migrado.

O tempo foi passando, começou um festival de fakes invadir comunidades, perfis, etc, e foi definitivamente perdendo a graça. Nesse meio tempo muita gente começou a migrar pro Facebook, e eu acabei passando a usar mais esta do que aquela. E, por fim, há uns dois anos mais ou menos, depois de tanto tempo sem usar, acabei deletando minha conta.

Mas mesmo assim vai deixar saudades. Saudades de uma época onde existia menos mimimi na Internet, onde o patrulhamento era bem menor, onde as pessoas entravam nas redes sociais pra se divertir, e não pra ficar caçando pelo em ovo, e sem gente que fica lendo o que você escreve e achando que você está dando indireta pra ela, sendo que nem passou o nome da figura pela sua cabeça quando foi escrito tal post.

Como legado, o Orkut deixou o resgate de amizades que haviam sumido, o que posteriormente continuou o contato no Facebook. E também novas amizades que fiz por lá. Apesar de ter deletado minha conta, sempre vou ter um carinho por aquela rede.

Descanse em paz Orkut!