quarta-feira, outubro 22, 2014

Mudanças...

Todo ser humano faz planos. Faz parte da nossa natureza, talvez pelo fato de sermos racionais e querermos controlar tudo ao nosso redor.

Planejar faz parte da vida assim como frustrações. E elas vão aparecer, queira você ou não. Nossa vida está tudo nos eixos, e de repente acontece algo que vira tudo de cabeça pra baixo. A sorte é que nós, humanos, temos uma incrível capacidade de adaptação. Muitos conseguem, mas infelizmente muitos acabam sucumbindo e caindo nas garras da depressão.

Posso dizer que na minha vida eu tive um divisor de águas: quando meu pai era vivo, e depois que meu pai faleceu. Digamos que minha vida era A e virou Z. Foi um turbilhão de coisas que inundou tudo, e na época não tive tempo de pensar em nada, afinal, foi tudo muito rápido, e tivemos que agir rápido. O que por um lado foi bom, mas por outro deixou sim algumas sequelas, que achei que não tinham ficado, mas hoje vejo que elas estão aqui.

Não fiquei revoltada, com ódio da vida nem nada disso. Mesmo porque em certas situações eu acho a morte mais digna do que ficar por anos sofrendo por uma doença que não se tem cura. Mas isso é assunto pra outro post.

Quando se mora no mesmo lugar por 31 anos, e de repente nos vemos obrigados a nos desfazer de praticamente tudo, fica uma marca. Claro que sei que bens materiais não deveriam permear nosso ser e blá blá blá, acho muito lindo quem tem esse desprendimento, mas pra mim, alguns bens materiais tem valor emocional muito grande, e que naquela época não tive o tempo necessário para mensurar o que eu deveria ficar, e o que eu deveria passar pra frente. As únicas coisas que eu me recusei a dar fim foram minhas fitas. De resto foi tudo: diários de escola, álbuns de figurinhas, revistas, fitas VHS, livros etc.

Confesso que nessa história toda a sequela maior que ficou em mim é ficar triste a cada mudança. Odeio mudanças, eu confesso. Quando tivemos que sair rápido da nossa casa, e irmos pra um apartamento, fomos obrigados a nos desfazer de praticamente tudo. E isso imprimiu uma certa melancolia em mim. Lembro-me de que quando me mudei de Blumenau pra São Paulo era um misto de alegria, e tristeza. Alegria pois finalmente eu estava vindo pra cidade onde sempre quis morar. Tristeza por ter que empacotar tudo, e  me mudar. Lembro-me também da minha mãe me perguntando assim que chegamos aqui: 'você tá feliz?'. Confesso que não sabia o que responder, pois a mistura de sentimentos era grande demais pra definir o que eu realmente estava sentindo naquele momento.

Se eu pudesse estalar os dedos e ir de um lugar pro outro sem passar pelo processo de mudança, justo que faria isso. Quando meu avô se mudou da casa dele pra outra, senti a mesma melancolia. Fiquei sentada em uma das poucas camas que haviam restado lá olhando pro nada e deixando o tempo passar um pouco...

Bom, se tudo der certo, encararei outra mudança, desta vez aqui em São Paulo mesmo. Uma ou duas. Sei lá. Acho que tá na hora de eu me preparar pra isso. Mas acredito que talvez seja um pouco diferente, pelo fato de eu ter tempo de elaborar as coisas, e de saber do que realmente eu quero me desfazer ou não.

Por que eu escrevi isso? Sei lá. Me deu vontade. Escrever me faz bem, e eu não encho o saco de ninguém. :)