quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Intromissão do Estado na vida do cidadão. Qual o limite?

Às vezes eu me pergunto até que ponto o Estado deve se meter na vida do cidadão. São tantas decisões, proibições, como se fosse uma babá tratando de nós.
Há tempos, a ANVISA sismou que farmácias não podiam mais vender medicamentos que não precisam de prescrição médica fora do balcão. O que antes era algo super fácil, ou seja, entrávamos numa farmácia, pegávamos nosso medicamento, pagávamos e íamos embora, agora temos que enfrentar fila, esperar um tempão até sermos atendidos. Estive na Inglaterra e no Canadá e lá, medicamentos que não necessitam de prescrição são vendidos tranquilamente até em supermercados. Canadenses e Ingleses não são tratados como se fossem oligofrênicos. E sabe o que é mais curioso? Somos proibidos de comprar remédios para dor de cabeça por conta própria, mas quando precisamos comprar antibióticos, ou outros remédios que necessitam de prescrição, não conseguimos comprar a quantidade exata de medicamento. Se precisamos de 5 comprimidos, somos obrigados a comprar uma caixa com 10, pois a venda fracionada 'não pegou' no Brasil. Acredito que isso incentiva muito mais a auto-medicação do que comprar uma Dipirona.
Outra tosqueira foi a proibição de bronzeamento artificial. Não sei como anda isso nos dias de hoje, se derrubaram ou não a proibição, mas isso foi ridículo, quem é o Estado pra dizer se eu quero ou não me bronzear? Agora, baixar a carga tributária dos bloqueadores solares para baratear os preços ninguém quer. É muito mais fácil proibir bronzeamento artificial, mesmo sendo comprovado que grande parte das pessoas que adquirem câncer de pele se expõem mesmo ao sol, esse astro poderoso que o governo não pode proibir de aparecer no céu.
Mas o que mais me chamou a atenção foram pais sendo acusados de negligência, serem ameaçados de perder a guarda de seus filhos, simplesmente pelo fato de ensiná-las em casa. Um detalhe que chama muito a atenção: eles tem uma formação mais sólida do que crianças educadas em nossas escolas, tanto que passaram no teste que foi aplicado. Então, porque raios o governo não aceita esse tipo de educação? É notório que nossa educação tem descido ladeira abaixo. Com raras exceções, ela deixa muito a desejar, seja em escolas particulares, e em públicas. Então, não vejo problema nenhum em pais decidirem que seus filhos estudem em casa.
Ah, o problema é a socialização. Até entendo que frequentar aulas de patins pode não ser considerado uma socialização total. Mas se formos pensar que, nossas escolas estão virando um antro de bullying, e ninguém toma providências. Além do que, escolas estão cada vez mais se tornando ilhas de violência. Que socialização é essa que tanto falam?
Eu queria que o governo tivesse tanta disposição para punir pais irresponsáveis que colocam filhos no mundo sem nenhum preparo, e os deixam jogados na rua pedindo esmola, não matriculam na escola, e muito menos os educam em casa. Mas não, é muito mais fácil perseguir pessoas que realmente se preocupam com seus filhos, e que os educa exemplarmente em casa. Tudo em nome do 'bem estar dos menores'. Ah tá, conta a do papai noel agora. Tá na hora de mudar essa lei. Tá na hora de mudar essa mentalidade do Estado paizão protetor.

13 comentários:

Vander Leão disse...

Dê, demorou pra gente tomar uma atitude e fazer como em outros países e não aceitar mais determinadas situações, domingo eu vi uma matéria sobre medicamentos para tratamento de câncer q simplismente desapareceram, motivo: não dão lucro...ou seja, se preocupam tanto com remédios para dores de cabeça e resfriados, e deixam de fiscalizar o que realmente importa....enfim, onde o estado deveria atuar não atua, afinal, mtas vezes são essas grandes empresas q financiam campanhas políticas....lamentável ;(
Bjsssss

Simone disse...

Acho até que o povo brasileiro não tem discernimento para se automedicar, mas se o governo quer dar uma de paizão, tinha que dar conta do recado e tomar medidas que fossem coerentes...

Palazzo disse...

Olá Millenia, quanto tempo.
Eu estava de férias :-)
Millenia, vai esquecendo disso aqui como uma república...em breve seremos um Estado unido de um outro país qualquer.
abç

SBIE disse...

É isso mesmo: o Estado como babá, eu sei... eu sei!
O bronzeamento artificial até entendo... dá câncer - essa é uma boa desculpa para proibirem pois há muito gente ganhando com a ignorância das madames bronzeadas a respeito.
Abaixar o preço dos bloqueadores seria uma boa tb. Talvez o governo poderia bancar um óleo natural para a proteção.
Eu até que gosto desse "paizão protetor". Isso se realmente ele é um pai e não apenas proibindo visando interesses de governantes.

Paizão seria bom se não fosse ditatorial e proibista.

Prefiro o pai que dê informação a seus filhos.

SBIE disse...

Ótima reflexão como tem sido sempre!

Silvia 'Sam' Cássivi disse...

Uma coisa que sempre ouvi: educação vem de berço. E vem mesmo. Não adiante estudar em escola super cara se em casa a criança só assite tv e o que não presta. Lembro a filha de um ex meu, estuda super bem mas o pai não estimula a menina a ler, aí ela chega em casa e corre pra frente da tv :/
Nossa, eu tava aqui lendo sobre o bronzeamento artificial e me dizendo a mesma coisa que vc escreveu: POR QUE NÃO BAIXAR O VALOR DOS BLOQUEADORES??? É um absurdo pagar 50$ por um frasquinho! ou até mais que isso. Bloqueador solar deveria ter preço bem mais baixo, isso é pra saúde do povo. Bronzeamento artificial faz quem tem uma graninha sobrando, do mesmo jeito que faz tratamento estetico quem pode (e precisa, claso) mas cadê que governo vem mudar preço de produto pra menos? nunca.
Ja tem uns meses que pra comprar antibiotico precisa de receita medica...mas pra comrar remedinho tipo Dipirona (pra usar seu exemplo) não precisa. Acho que os mais básicos relamente poderiam ser vendidos de boa, o povo não vai parar de tomar remédio só porque é mais dificil comprar.
Cito meu exemplo: tenho amidalite desde que nasci, seu exatamente quais remedios devo tomar, tenho mesmo que ir ao médico toda vez que eu estiver mal só pra pegar a receita de algo que eu ja sei? hmmm tem caso e caso aí...
Deixa só chegar o inverno e o que mais tem é propaganda na tv/radio/revistas/jornais de remédio, será que as coisas vão mudar mesmo? acho que não.
Ensinar criança em casa em outros países é opção e muito bem aceita...aqui se a criança não for pra escola vão fazer como vc citou e ameaçar tirar a guarda...aí a criança vai pra uma escola e muitas vezes aprende mais o que não deve, ou calha de ir pra um desses antros onde as outras crianças carregam armas e se estabefam todo dia.
Vai entender esse país....

rsrsrs escrevi demais!
Até mais.
Bom fds

Ruby disse...

Denise, vi uma repoirtagem a qual mostrava pais decididos a ensinarem em casa os filhos e eles estvam sendo ameaçados de irem presos, enfim, é a escolha, mas daí os remédios eu concordo plenamente, pra que dificultar a vida das pessoas num país no qual a saúde é péssima, as pessoas não tem dinheiro pra pagar consultas e levam meses pra fazerem uma que dura lá seus dois minutos pelo SUS, como vão comprar medicamente que não oferecem riscos? O governo acha que tá prestando serviço de excelência ao povo, mas ta mesmo é ferrando o povo.

Lidia Ferreira disse...

Minha querida , excelente post,eu sofro de asma , então meu medico me indicava um remédio que me dava 50% de desconto, agora eles proibiram meu medico de indicar remédio ou laboratório , a minha sorte e que eu ja estava cadastrada , mas fico pensando em quem não esta , meu remédio custa 100,00 eu pago a metade
bjs

Simone disse...

Amiga, voltei aqui pra te contar que fiz um blog novo (mas também continuo com esse aqui, o tema é diferente), se puder dá uma olhada, vou te seguir por lá também!

http://lindaecomconteudo.blogspot.com

Beijosss!

SBIE disse...

Ótima semaninha!

Volto a prestigiar seu blog no final de semana!
bjo

Mauro S disse...

Um belo post, Denise, parabéns! Beijos.

Lindsay disse...

Bem colocado!
Quanto a educação em casa, é ridículo ser motivo de punição!Negligência? O que é negligência?
Negligência é justamente o que a maioria faz: resolve ter um filho (ou mais). Em menos de um ano despacha ele pra uma creche. Ele cresce sabe-se lá sob que cuidados, convive com gente estranha e normalmente despreparada, sob influência de um bando de crianças desgovernadas de todas as idades que padecem do mesmo mal - ausência dos pais.
Depois vem a escola, normalmente fraquíssima no seu propósito, onde se aprende de tudo menos o que interessa realmente. Sem contar o bullying, que a criança pode sofrer e, pior, praticar.
Eu penso assim: quem quer ter filho, que seja mãe/pai no sentido puro da coisa. Se não puder, não tenha. Se a vida profissional é prioridade, assim seja, mas não meta criança no meio se é pra deixar ela como segunda opção. Se é pra lavar as mãos e jogar a responsabilidade pra quem quer que seja, e até pra esse mesmo governo de leis sem noção, que intenções tem em por um filho no mundo? Isso tem um preço alto, e não falo somente em termos financeiros.[se considerassem ao menos a questão financeira, muitos já pensariam algumas vezes, rs]

Com a situação como está hoje, eu acho maravilhoso que ainda tenham pais que se preocupem em educar e orientar seus filhos ao máximo, ainda que acabem por ser ironicamente chamados de negligentes. Os noticiários refletem o quanto isto está se tornando cada vez mais raro.:(

J.C.Cardoso disse...

O pior é terem proibido caixa eletrônico, venda de Havaianas e bombom em farmácia, sob pretesto de estimular a automedicação...
É tratar o cidadão como 100% idiota ou hipossuficiente.