quarta-feira, dezembro 23, 2009

Acho que agora vai...

Uma das coisas que eu nunca entendi direito, talvez por falta de conhecimento específico, confesso, foi a morosidade da nossa justiça. O que eu entendo menos ainda é o fato do Brasil assinar a Convenção de Haia sobre sequestro internacional de crianças, mas não cumprir.
Em julho deste ano, uma menina austríaca foi covardemente assassinada pela tia brasileira. A mãe fugiu da Áustria com os filhos sem a permissão do pai. De acordo com a convenção de Haia, as crianças deveriam ter voltado imediatamente à Áustria, para depois ser definido o destino delas. Mas não foi o que houve. Nossa justiça mais uma vez falhou, e falhou feio. A criança acabou morrendo espancada pela tia. E mesmo assim, o pai levou meses pra conseguir levar o corpo de volta ao seu país, para lhe dar um enterro digno - e o outro filho mais velho, que também tinha sido sequestrado pela mãe.

Mas, o caso do menino Sean Goldmann parece que o final vai ser mais feliz. Finalmente, depois de anos lutando para reaver o filho, sequestrado pela mãe ainda quando criança pequena, o pai terá o direito de finalmente tê-lo ao seu lado.
Algumas coisas nesse caso me deixaram de cabelo em pé. Primeiro com a morte precoce da mãe, o que já foi algo pra lá de bizarro. Depois, o padrasto, se achando no direito de substituir o verdadeiro pai, que estava vivo e queria sim a guarda de seu filho, simplesmente usou de sua influência para manipular a justiça. É um tal de apelação pra cá, recorre pra lá... E o tempo foi passando, e Sean, crescendo.
Como se não bastasse sacanear o pai a torto e a direito, devolvendo as cartas e presentes que ele mandava pro filho, a família materna ainda teve a cara de pau de convidá-lo para uma ceia natalina. Como se tivesse algum clima entre ele e a família da moça de participarem juntos de uma ceia de Natal!
E pra coroar com chave de ouro o caso, a avó de Sean num ato desesperado e patético, manda uma carta para Lula toda melodramática. Tudo bem, ela está no direito dela, mas o que me chamou atenção na tal carta foi a seguinte frase:
''Nossa formação valoriza papel da mãe. Na ausência da mãe, a criação incumbe a avó.''
Mas peraí.. Então quer dizer que pra ela, o pai não serve pra nada? Só como reprodutor?
A questão é: o garoto tem um pai, que tem todo direito de ficar com seu filho. Ponto. E se ele fosse tão mau pai assim como eles pintam, ele não teria lutado até agora para obter a guarda. Simplesmente deixaria pra lá e o filho que se ferre. Como infelizmente muitos pais fazem.
É de se admirar o egoísmo de certas pessoas. Eu vejo como um sentimento de posse. O neto é meu! Minha filha morreu, então agora o neto é MEU! E o pai, ah bem.. o pai é só um detalhe.
Eu espero de coração que esse garoto possa voltar para os Estados Unidos com seu pai, e que possam reconstruir os laços afetivos perdidos por causa de vaidade, e também por causa da morosidade da nossa justiça, que assina convenções, mas mesmo assim não as cumpre.

8 comentários:

MaK-PG disse...

É de se revoltar mesmo. Eu já estava revoltado com o caso pelo desrespeito à Convenção... Agora sabendo desses detalhes, penso como esse país, NÓS somos tão hipócritas. #vergonhaalheia

Lú Silva disse...

São casos como estes que me desanima... procuro me afastar das discussões, não é o melhor a fazer, mas é o que consigo. Isso é muito triste!!!

No meio disso tudo...


Feliz Natal Denise para vc e toda sua família!!! Grande abraço.

Isaac Melo disse...

Oi Denise,
desculpe a demora em te escrever, é que estive muito ocupado nesses últimos dias. Agora estou começando a curtir minhas férias aqui na terrinha de Galvez, Acre.

Um abração a vc e desejo um feliz natal!!!

Si Wasabi disse...

Acompanho essa história pela mídia já há um bom tempo. Eu também acho que o pai tem direito a ter a guarda do filho. É muito triste, em primeiro lugar, ver uma família com desavenças tão sérias e, em segundo, ver mais uma palhaçada judicial.

Beijos e um ótimo natal pra vc e sua família!!!

Sou blogueiro - INDICOESSE disse...

Ótimo Natal Denise!!!

Sou blogueiro - INDICOESSE disse...

Realmente precisa haver um estudo aí por parte das justiças dos países para ver se realmente a criança deve ficar com o pai, o que acredito que sim. Como bem falou, ele lutou até agora, e algumas pessoas não vem isso como direito.

Bjoo!

J.S.H. disse...

entrei aqui por uma pagina sua do começo do ano.

acho que entrando aqui com seu email e sua senha
tem opção de fazer backup de seus comentários
no meu foram dois arquivos
se aparecer dois no seu
baixa os dois

www.haloscan.com/members/

roberto.tramarim@gmail.com disse...

Tudo porque nossa justiça é morosa e burocrática, o garoto foi roubado de sua casa nos EUA, ja deveria ter retornado a muito tempo. O tanto de tempo que isso demorou é que causou todo este constrangimento.